Salmo 35 - Apelo à Justiça e Misericórdia de Deus

[Nova versão Internacional] O Salmo 35 pertence ao Livro I do Livro dos Salmos. Esta oração é uma reflexão sobre a reciprocidade na prática do bem e sobre as consequências do comportamento humano.

O Salmo 35 pertence ao Livro I do Livro dos Salmos, composto por uma coleção de 150 textos poéticos organizados por 5 Livros. O Livro dos Salmos, pela sua sabedoria e princípios básicos da ação do Homem, é considerado o coração do Antigo Testamento. O Livro I engloba os Salmos 1 a 41. O Salmo 35 está dividido em 28 Versículos.

Os Salmos são poemas-orações dirigidos a Deus, sendo a forma privilegiada de nos dirigirmos e falarmos com Ele. Estas orações, representam as vivências humanas e a consciência religiosa. Retratam o homem comum, com as suas falhas, inseguranças, medos e esperanças e, ainda hoje, nos podemos identificar com o Salmista e inspirarmo-nos nestes textos rezar e suplicar a Deus quando nos sentimos perdidos e angustiados ou para expressar a nossa gratidão por alguma benção recebida. 

"Há inimigos ou amigos, há a vida ou a morte, a saúde ou a doença, a dor ou a alegria e, a maior parte das vezes, não há cambiantes ou gradações. As palavras são como pedras e as poesias como penedos esculpidos a cinzel"; "Os Salmos são um pouco como os carreiros da montanha, simples, especialmente quando se caminha sobre a neve, mas que conduzem aos cumes; são carreiros em direção aos cumes do encontro com o Senhor." - Carlo Maria Martini, cardeal de Milão

Salmo 35 - Apelo à Justiça Divina

1 De David.

Ó Senhor, vem acusar os que me acusam
e combater os que combatem contra mim.

2 Reforça-te com escudo e couraça
e levanta-te em meu auxílio.

3 Desembainha a espada e barra o caminho
contra aqueles que me perseguem.

Diz à minha alma:
"Eu sou a tua salvação".

4 Sejam confundidos e envergonhados
os que procuram tirar-me a vida.

Voltem para trás humilhados
os que planeiam a minha desgraça.

5 Sejam como a palha levada pelo vento
e que o anjo do Senhor os disperse.

6 Seja tenebroso e escorregadio o seu caminho,
com o anjo do Senhor a persegui-los.

7 Pois sem razão armaram ciladas contra mim
e sem razão cavaram um fosso para eu cair.

8 Venha sobre ele uma desgraça imprevista;
que a rede escondida apanhe aquele que a armou
e ele mesmo caia no fosso que escavou.

9 Então a minha alma exultará no Senhor
e se alegrará com a salvação dele recebida.

10 Todo o meu ser proclamará:
"Quem é como Tu, ó Senhor?

Tu livras o fraco daquele que é mais forte;
o pobre e desvalido, daquele que o explora".

11 Erguem-se contra mim testemunhas agressivas,
pedindo-me contas de coisas que eu nem sabia.

12 Pagam-me com o mal em vez do bem,
deixando a minha alma desolada.

13 Quando eles adoeciam, eu vestia-me de penitência,
humilhava a minha alma com jejuns,
e a minha oração ecoava no meu peito.

14 Como por um amigo ou um irmão,
andava triste e abatido,
como quem está de luto pela sua mãe.

15 Eles, porém, alegravam-se da minha queda
e reuniam-se em conluio contra mim.

Agrediam-me à traição
e dilaceravam-me sem descanso.

16 Rodeavam-me e escarneciam;
rangiam os dentes contra mim.

17 Como podes Tu ver isto, Senhor?
Retira a minha alma das desgraças deles;
das garras desses leões, a minha vida.

18 Eu te darei graças na solene assembleia,
no meio da imensa multidão te louvarei.

19 Que não se riam de mimos meus inimigos mentirosos,
nem troquem olhares de escárnio
os que me odeiam sem motivo.

20 Pois eles não falam de paz;
e até contra gente pacífica maquinam calúnias.

21 Abrem descaradamente a boca para mim, dizendo:
"Ah! Conseguimos vê-lo com os nossos olhos!".

22 Tu também viste, Senhor. Não fiques calado!
Senhor, não fiques longe de mim.

23 Desperta e levanta-te em minha defesa!
Ó meu Deus e Senhor, defende a minha causa.

24 Julga-me segundo a tua justiça, ó Senhor, meu Deus.
Que eles não se riam de mim.

25 Que eles não digam no seu coração:
"Ah! Era o nosso desejo!".
Nem possam dizer: "Devorámo-lo!".

26 Fiquem igualmente confundidos e envergonhados
aqueles que se alegram com o meu mal.

Cubram-se de confusão e de ignomínia
os que se mostram arrogantes comigo.

27 Alegrem-se e rejubilem os que querem a minha justiça.
E que eles digam sem cessar: "Grande é o Senhor,
pois lhe agrada o bem-estar do seu servo!".

28 Então a minha língua anunciará a tua justiça
e os teus louvores, durante todo o dia.

Significado e Interpretação

O Salmo 35 é uma oração individual de súplica, em que o Salmista se lamenta das perseguições que lhe são movidas por parte dos que ele tratara como seus amigos. Esta oração oferece ao Salmista a oportunidade de fazer uma reflexão sobre a reciprocidade na prática do bem e sobre as consequências do comportamento humano, pois tanto o bem como o mal exigem a respetiva sanção. O Salmista pede insistentemente a Deus que intervenha neste conflito de comportamentos.

A seguir à primeira metáfora que pertence aos ambientes de citação em tribunal, e apesar de se tratar de conflitos entre pessoas, o resto dos primeiros três Versículos. está recheado com metáforas de guerra, onde se inclui a própria referência à salvação, que é a vitória concedida.

Os Salmos de Súplica estão muito presentes no Livro dos Salmos. Falam da fragilidade humana e dos sentimentos mais básicos da sua condição mortal. Os tempos de paz e abundância contrastam com a guerra e a destruição individual ou da comunidade. O Salmista suplica pelo auxílio de Deus e pede-lhe que termine com a sua situação de aflição, terminando com a certeza de ter sido escutado.

Na prática espiritual, a súplica e o pedido a Deus reflete muito o sentido da oração sendo a forma privilegiada de estabelecer o contacto e elevar a voz ao Divino. Em numerosos Salmos, a súplica parece ser a motivação mais imediata e a maior preocupação. Ao dirigir-se a Deus, o orador / Salmista encontra a ternura, a justiça, a compaixão, a reconciliação, a purificação, enfim, a própria pacificação.

As narrativas e sentimentos envolvidos nestas orações são variados e básicos; afetam a Humanidade ao longo dos milénios, sendo ainda hoje atuais. Refletem multiplas vivências interiores, individuais e coletivas, e de relacionamento entre as pessoas e os povos. Abordam temas como a ameaça mortal da doença, a perseguição, o envelhecimento, a violência, a guerra, a traição, a solidão, a agressão dos inimigos e como estes sentimentos alteram a consciência que temos de nós mesmos, da relação com os outros e com Deus. 

As situações que motivam a súplica podem ser amargas e desesperadas, mas os Salmos exprimem, em geral, um estado de espírito de confiança e terminam em ação de graças. O Salmista clama por Deus, pela sua ajuda e perdão numa profunda expressão de uma confiança sem limites na compaixão e justiça divinas. O próprio grito do Salmista é já uma expressão de combate, de vontade de mudança, de transformação interior, de confiança e de esperança num futuro livre do mal, do sofrimento e dos ímpios.

Os Salmos de Súplica são classificados como súplica individual e súplica coletiva. Os de Súplica Individual compreendem os Sl 3; 5-7; 13; 17; 22; 26; 27; 28; 31; 35; 39; 42-43; 51; 54-57; 59; 61; 63; 64; 69-71; 88; 102; 109; 120; 130; 140-143. e os de Súplica Coletiva os Sl 12; 44; 58; 60; 74; 80; 83; 85; 90; 94; 108; 123; 127.

O Livro dos Salmos

A Alegria e Felicidade dos Justos em Comunhão com Deus

Os Salmos são poemas-orações dirigidos a Deus, sendo a forma privilegiada de nos dirigirmos e falarmos com Ele. Retratando o homem comum, com as suas falhas, inseguranças, medos e esperanças, ainda hoje nos podemos identificar com o Salmista e inspirarmo-nos nos Salmos para fazer orações e súplicas a Deus em tempos de angústia ou expressar a nossa gratidão por alguma benção recebida.

Os Salmos, apesar de escritos na Antiguidade ainda hoje comovem, sensibilizam, despertam sentimentos, inspiram e encantam. Neles, podemos identificar angústias e alegrias, sentimentos profundamente humanos, louvores, suplicas, ensinamentos da reflexão da sabedoria espiritual e palavras proféticas.

Escritos para situações distintas, alguns Salmos são intimistas, revelando a relação pessoal do autor com Deus; outros apresentam orientações e conselhos para a vida, outros são composições para eventos litúrgicos específicos, como rituais e peregrinações.

O Livro dos Salmos é composto por uma coleção de 150 textos poéticos e está dividido em cinco partes, denominadas Livros ou Livretes Sálmicos. Cada Livro é encerrado com breves hinos de louvor a Deus. A divisão em cinco partes era considerada como tendo correspondência com os cinco livros de Moisés e presume-se que cada passagem do Pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia, chamado Torá pelos Judeus), era lida em paralelo com o Salmo que lhe correspondia. As suas formas principais são lamentação, súplica, louvor e gratidão.

O Poder da Oração no Diálogo com o Divino

Os Salmos elevam os nossos pensamentos até ao Divino e a oração é o poder da palavra. A oração é a linguagem da fé. Qualquer pensamento, palavra ou imagem dirigido a Deus chama-se oração. É através dela que entramos em contacto com o nosso Deus interior e, por isso, é tão poderosa na transformação da vida. A oração pode produzir milagres, transformar o sonho em realidade, dá-nos a esperança da mudança, da harmonia e da paz connosco e com o mundo.

Cada Salmo tem uma intenção que nos ajuda a meditar e a caminhar ao lado do nosso Deus. Para muitos teólogos, o Livro de Salmos tem um tom profético ou messiânico pois os seus versos referem-se à vinda de Cristo até ao mundo dos homens para os guiar através da incerteza e das dúvidas da existência Humana. 

A oração tem o poder de nos ligar ao Universo Espiritual de modo pleno, honesto, sincero, consciente, com o propósito de autoproteção espiritual, proteção da família e daqueles que nos são queridos, para ter paz mental, espiritual e física, para obter prosperidade e êxito, proteger a saúde e as relações, afastar as energias negativas e, sobretudo, para nos ligar a algo maior do que nós. Desta paz, resulta bem estar, esperança e bondade perante todos e todas as coisas. 

A pode mudar a nossa vida. Dá-nos tranquilidade e força espiritual para enfrentar os desafios. Ajuda-nos a meditar sobre a nossa missão de vida e a criar um ambiente equilibrado e saudável para nós e para aqueles que amamos. Quando orar, encha o seu coração de amor e determinação. Os Salmos irão guiá-lo por um caminho de paz e de comunhão com a energia superior.